O dia que pedalei para sempre

Em algum lugar de Lisse – NL

Peguei o mapinha da ciclovia. Eram quilômetros e quilômetros. Sentei na bicicleta laranja e comecei a pedalar. Eu tinha um objetivo: encontrar os campos de tulipas e apreciar aquele “finito sem fim”. E só chegaria tão perto e mais rápido se eu fosse de bicicleta. A empolgação me movia. O caminho era lindo e plano, com longas árvores verdes que se juntavam e formavam uma grande sombra sobre o meu trajeto, e o vento soprava de leve em meu rosto. Pedalar nunca foi tão bom!

O primeiro campo não estava tão escondido, flores roxas, brancas e rosas . Fiquei maravilhada. Pensei que não poderia encontrar visão mais bonita que aquela. Mas olhando para o mapinha ainda havia muito chão pela frente. Aquele era só o começo, dali a algumas horinhas eu encontrei o segundo campo. Amarelas, vermelhas e laranjas, fiquei extasiada com aquele vasto campo de “clores”. Fez ainda mais sentido ter pedalado durante aquele tempo para ver algo tão belo. Admirei a minha conquista. Foi um pequeno desafio. Mas que desafio empolgante, sair à procura de flores. Poderia ser desafiada mil vezes assim.

Meus olhos voltaram-se para o mapinha. Havia, em uma parte da ciclovia, um ponto em que poderia ver o mar. De repente este se tornou o desafio: encontrar o mar! E fui.

Enquanto eu avançava o caminho mudava. Ficou mais frio, as árvores já não eram tão verdes e acabei me encontrando em um lugar aparentemente desconhecido pela minha bagagem de lembranças e memórias. A ciclovia estava no meio de algo parecido com montanhas – não tão altas como as montanhas mineiras. Estava eu no asfalto ao meio, as pequenas montanhas ao meu lado direito e uma flora de aspecto serrado ao meu lado esquerdo. No começo desse novo trajeto não haviam mais ciclistas. Eu e a curiosidade.

Depois de um cruzamento comecei a me deparar com famílias, ciclistas profissionais e até idosos – atléticos por sinal. Eu seguia e as montanhas tornavam-se labirintos, eu via as pessoas entrarem e não tinha ideia de onde iam parar! Nas proximidades da ciclovia eu avistava cães e seus donos passearem, e adentravam. Casais que faziam piquenique  – mesmo não sendo em um parque gramado -, pessoas fazendo caminhada e entrando nas “montanhas”. Era um lugar totalmente diferente do que eu já tinha visto. Tinha muita neblina, mas as pessoas não pareciam difusas em seus semblantes. Elas pareciam felizes, no sossego e no silêncio. Comecei a sentir: era diferentemente prazeroso estar ali. 

Me lembrei do mar! Na verdade nunca deixou de ser meu foco. Então entrei na suposta montanha. Estacionei a bicicleta em um cantinho, porque você acreditando ou não, eu tive que subir uma escadinha de madeira improvisada, para chegar até o topo. Cheguei com a esperança de avistar o mar dali de cima. Ele só poderia estar ali. Mas não avistei mar algum. Só mais neblina, pedras e areia branca, muita areia branca. Voltei para a minha bicicleta. Aonde estaria o mar? Não é tão fácil esconder um mar. Continuei o caminho. Eu tinha que achá-lo, se estava no mapa ele existia.

Até que cheguei em uma placa com indicações de uma “prainha”. As instruções eram meio confusas, mas era o único jeito. Apontava para cima, e o “para cima” era um morro de areia, que eu subi com minhas botas. Não pense que foi só um morro. Foram três morros íngremes de areia. Cheguei ao topo. Que neblina. Apertei os olhos. Era o mar. Respirei por alguns segundos: não era o que eu esperava. Pensei por alguns segundos: o que valeu foi o caminho. Vou pedalar assim pra sempre! 

E eu tinha ainda o caminho inteiro para voltar. Mas encontrei um novo trajeto.

 Lua de Sofia

Comicamente desesperador
Havia uma borboleta no meio do caminho, no meio do caminho havia uma borboleta

Comments

  1. Que lindo! Adorei…..
    Passear ao ar livre, vendo e sentindo a natureza !!!!
    Flores! Cores! Poesia!!!
    Continue menina! Pedalando e escrevendo….

  2. Que lindo! Adorei…..
    Passear ao ar livre, vendo e sentindo a natureza !!!!
    Flores! Cores! Poesia!!!
    Continue menina! Pedalando e escrevendo….

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Tem dias que eu faço o exercício de olhar para mim. No espelho, mas sem make, sem filtro. Ficar olhando. A gente não costuma fazer isso. É mais comum olharmos no espelho para passar batom, espremer um cravo, dar um sorriso e avaliar nossa aparência no geral, se está “bonita” ou não. Mas não olhamos nos nossos olhos, no que somos e como somos.
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Hoje quando fui escovar os dentes, um cabelo branco ficou evidente ao me olhar no espelho. Na verdade, eu ando vendo tal fio tem quase um mês, mas ele estava sempre misturado aos fios castanhos. Tentava pegá-lo e não conseguia. Hoje ele apareceu: “Olá, jovem aprendiz.” – debochou de mim. Aí eu o peguei e já ia arrancá-lo. Parei: Por que eu estou fazendo isso?" Aí meu cérebro disse: “Para não aparecer, porque é feio, oras.” Outro resgate da minha bagagem de aprendizados lembrou algo que alguém sempre fala “de que não pode arrancar”. Enfim, não arranquei.  Às vezes eu fico pensando em como serei quando for velha. Não com ansiedade de o ser. Mas imaginando e brincando com as ideias e suposições. Que loucura alguém de 24 anos falar sobre envelhecer, né? Mas hoje há uma supervalorização da beleza jovem e um sentimento de que envelhecer é ruim e feio. É comum o temor por envelhecer, apesar de que estamos diariamente envelhecendo em corpo e aparência. Mas tem tal fase “do se dar conta de que está envelhecendo”, não a estou vivendo e sei lá como a viverei. Mas por que não trabalhar e conscientizar minha cabeça de que envelhecer é bonito e me marcará na mente, no coração e no corpo? Assim talvez, quando as rugas vierem os cabelos brancos e tudo que envolve envelhecer, eu estarei bem comigo mesma e com o que eu vejo no espelho ao olhar dentro dos meus olhos. Há uma distância importantíssima entre: cuidado e exagero. Neste espaço entre ambos, há perigos em delimitar o que é beleza e de, sem ver, entrarmos num círculo vicioso da busca incansável por ser sempre jovem de aparência, principalmente nós mulheres. Já buscamos na própria juventude recursos para parecermos jovens quando envelhecermos. Eu ein. Não quero ter medo de envelhecer. 🌹

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  • Ler.
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Já fui mais leitora. Ou melhor, já fui mais leitora espontânea. Daquelas que lê por gosto e por ter tempo de sobra também, de ler por horas seguidas. Hoje arrumo algum tempo para ler por puro prazer, no entanto a rotina e novas responsabilidades mudaram um pouco minhas leituras, surgindo aquelas “obrigatórias”, provindas do trabalho ou estudos. Bom, de todo jeito, é ler, mesmo que de maneira densa ou mesmo “chata”. Ainda assim, o sentimento de “descobrimento”, permanece. Aquela sensação sabe, onde o mundo fica mais iluminado e as coisas fazem mais sentido depois que se lê. No entanto, penso que ser leitor não nos faz melhores que ninguém, não nos qualifica como detentores do saber ou de uma inteligência extraordinária. Pode ser uma consequência, logicamente, mas não nos define. Afinal há outras maneiras de adquirir conhecimento, entendimento e experiências. Há ainda, quem me diga não gostar de ler. E tudo bem não gostar. Entretanto existe um nível onde “não gostar” é consequência de não ter experimentado ou tentado se aproximar. Por isso, ainda e sempre enalteço o “ler” e digo para experimentar (mais de uma vez), e para insistir naquilo. Ler, nos dias de hoje, é ainda exercitar a paciência, a disciplina, a saúde mental e te leva ao aprofundamento de questões. Lembro-me de uma propaganda na TV que dizia “Leia mais. Ler também é um exercício.” E é mesmo. Assim como academia, futebol, crossfit, yoga. Dá para começar aos poucos e ficar bom naquilo. Um dia uma página, depois um poema, uma notícia, e o gosto pela coisa começa. Ou não, também. Pelo menos houve tentativa. Mas uma coisa digo, chegar no prazer de percorrer os olhos nas palavras e encontrar ali uma maneira de descobrir mundos através de histórias imaginadas ou de conhecimentos acumulados, é maravilhoso. É ter na sua frente uma possibilidade de descobrir o mundo nas suas mais diversas formas. É viver uma vida em algumas páginas. É ter a sensação permanente de “descobrimento” e entender a infinidade do mundo. Afinal, o saber é inesgotável. Sempre há algo para descobrir. 📖 .
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Eu fico me perguntando o porquê das coisas serem como são, porquê existimos, porquê fazemos o que fazemos e como fazemos. Mas diz minha mãe que pensar demais nessas coisas endoida a gente. Mas eu gosto de dar sentido nas coisas, como é comum de todo ser humano. No entanto uma hora as respostas se esgotam e você escolhe no que acreditar.
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Mas a natureza, ela é tão certeira, tão verdadeira, tão ela por si só, que me impressiona. Ela não precisa da gente. Há coisas na natureza que existem há tanto tempo e nós, meros humanos, só passamos por elas. A natureza continua. Quando falo natureza, é tudo. Não só uma planta no quintal. Natureza é flor, mato, rocha, lago, animais, chuva, trovão, é coisa grandiosa, vasta e que desafia nossa noção de poder. Afinal, somos tão egocêntricos que achamos ser maiores e que podemos dominar o mundo. Nós pobres humanos, achamos que podemos passar e devastar a natureza sem que ela perceba. Sem que ela devolva em desastre nossa ingratidão. Ela nos dá/deu, de mão beijada, uma bandeja de recursos. No entanto, assim, vez ou outra, desastre ou outro, ela cobra o preço a quem a usou desajuizado. A natureza para mim faz todo sentido. Nela eu acredito e pouco questiono. A respeito e me encanto com ela. ⛰️ #bonitoms #grutadolagoazul
  • Pedacinho do Rio do Peixe, um dos lugares mais lindos que já vi na vida! Achei que tava na sessão da tarde, nos cenários da Lagoa Azul. Pena as câmeras não conseguirem captar a beleza que é pessoalmente. 😍😍😍 #riodopeixe #bonitoms

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