Lado Mauzinho

Não sejamos hipócritas, não somos boas pessoas todos os dias. Todo mundo tem um lado mauzinho.  Você não tem uma única pessoa pela qual sente um rancinho, uma preguicinha, um leve enjoo quando vê ou conversa?  Uso o diminutivo para amenizar, mas vamos lá! Ter um lado mauzinho não te faz uma pessoa ruim, te faz ser humano, no entanto é preciso mensurar até que ponto seus maus sentimentos estão causando mal a você ou a outra pessoa. Mas não nego, o lado mauzinho existe, a gente tenta viver de aparências, de bom coração, humildade, coragem, autenticidade, naturalidade, mas lá no fundinho temos alguns sentimentos dos quais nos envergonhamos. Um dos meus sentimentos mauzinhos é a preguiça. Tem dias que tenho preguiça de pessoas, de conviver, de discutir, às vezes estou exausta ou é simplesmente vontade de ficar sozinha fazendo vários nadas. Aquele dia em que peço uma pizza (grande mesmo), como tudo sozinha assistindo Grey’s Anatomy, durmo sem tomar banho e não me dou nem o trabalho de levantar e colocar os pratos na pia, ficam lá no chão e eu os ignoro, me viro para o outro lado e caio em sono profundo. No outro dia volto a ser boa, vou na academia, valorizo minhas comidinhas saudáveis. E sigo a vida. Outro sentimento mauzinho que aparece de vez em quando é a falta de empatia, senti-lo me causa sofrimento, às vezes, mas acontece. Eu no ônibus, ou andando na rua, me deparo com pedintes ou pessoas vendendo bugigangas, em BH é muito comum vendedores ambulantes nos ônibus. Mas naquele dia, que meu lado mauzinho estava acionado, eu simplesmente os ignorei, virei para outro lado e dormi, ou abri um livro e não prestei atenção na sua história. Penso sozinha “hoje outra pessoa ajuda, afinal não dá para ajudar o mundo inteiro”, e não dá mesmo, gente. Outro sentimento que vira e mexe aparece, é quando alguém assume uma função minha ou faz algo que eu sou referência e meu “dark side” pensa: “tomara que fique ruim” ou “tomara que não fique melhor que o meu/ou da maneira que eu faço”. Parece loucura ou muito mau? Parece, mas temos tais sentimentos que não assumimos. No entanto, reconhecendo estes sentimentos, aprendemos a lidar com eles de outras formas.

Quando me arrependo do meu momento deusa da preguiça, eu vejo como aquelas horas de procrastinação me deixaram feliz também. Não dar atenção ao pedinte, me faz pensar em como eu não posso mudar o mundo, mas posso fazer o que estiver ao meu alcance. Ser orgulhosa demais para deixar alguém fazer uma função no meu lugar me faz ver como não consigo abraçar o mundo, e tudo bem não conseguir. A questão não é simplesmente impor que não podemos nos sentir de tal forma, ou que tal sentimento é errado. O sentimento vem, não temos ação sobre isso. E ignorar o sentimento é pior, porque para mim aquilo volta de alguma forma ou como uma ação incoerente, pior que o sentimento. Por exemplo: suponhamos que eu esteja com inveja de uma pessoa porque ela tem um corpo bonito e aprovado socialmente. Não assumindo meu sentimento para mim, provavelmente começarei a falar mal desta pessoa, já viu isso acontecer? Quando sentimos inveja de alguém, muitas vezes as diminuímos. Assim, estarei fazendo mal ao outro. Outro ponto é que começarei a cobrar de mim ter aquele corpo ideal, sem respeitar minhas diferenças e limites, assim estarei fazendo mal a mim também. Se eu percebo este sentimento mau, eu posso tentar assumi-lo e começar o exercício do que eu chamo agora de “controle do lado mauzinho”, buscando admirar esta pessoa e olhar com outros olhos o por quê de eu ter inveja. É porque tenho algum problema com autoestima? Ou porque acho o meu corpo feio? E me pergunto: Por que estou me sentindo desta forma? Assim crio outras perspectivas para aquele sentimento e vou me conhecendo melhor e podendo criar ações para não me sentir daquela forma. Parece difícil? Óbvio. Mas este exercício vai deixando os sentimentos mauzinhos mais leves e a vida fica mais leve também!

As piores horas para conviver com o lado mauzinho é quando somos atacados, quando saímos da nossa zona de conforto e sem querer, ou até querendo momentaneamente, insultamos alguém, debochamos, zoamos e tomamos atitudes que na verdade não somos a favor, assim, naquele momento de raiva ou insegurança, sem pensar direito, erramos. Mas errando, aprendemos. O que me dá canseira (olha o lado mauzinho) é a necessidade de sermos corretos, bons e coerentes o tempo inteiro. Já percebeu como existe esta pressão na internet? Quando comecei a escrever novamente, algo que sempre me preocupava, era: será que pensarei da mesma forma que penso agora daqui a cinco anos? Será que eu escreveria desta forma? Será que não estou sendo incoerente com o que vou ser daqui a mais tempo? Será que estou magoando alguém com o que eu escrevo? Não tenho estas respostas, mas fazer o exercício de conhecer meus sentimentos, tentar me colocar no lugar do outro e também admitir que o que sou hoje é mutável, ajuda. Mudar é libertador. Uma coisa, entretanto, é fato, meu lado mauzinho nunca vai deixar de existir, só preciso saber lidar com ele. Então vai aí uma dica: quando estiver estressado evite estar com pessoas que não te conheçam muito bem. Quando estiver em situações de raiva, intolerância e insegurança tente dar um tempo, para enxergar de outra forma a situação, com outros sentimentos e coração mais aberto. Nunca me esqueço de que eu não sou boa e legal o tempo inteiro. Mas sou responsável pelas minhas atitudes e devo ter peito para assumir meus erros.

Nasci com o cu virado para lua.
Os Retalhos

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Fotos recente do Instragram

  • ☺️☺️☺️
  • #tbt recente. Lugar mágico! 🌴🌱🐟🌊🐠
  • A natureza.
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A palavra natureza em algum ponto da língua latina se associa ao verbo nascer. Onde se nasce ou o que nasce. Somos feitos da natureza. As ciências naturais, a arte, a crença, a tecnologia, a vida. Antes de tudo, natureza.
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Eu fico me perguntando o porquê das coisas serem como são, porquê existimos, porquê fazemos o que fazemos e como fazemos. Mas diz minha mãe que pensar demais nessas coisas endoida a gente. Mas eu gosto de dar sentido nas coisas, como é comum de todo ser humano. No entanto uma hora as respostas se esgotam e você escolhe no que acreditar.
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Mas a natureza, ela é tão certeira, tão verdadeira, tão ela por si só, que me impressiona. Ela não precisa da gente. Há coisas na natureza que existem há tanto tempo e nós, meros humanos, só passamos por elas. A natureza continua. Quando falo natureza, é tudo. Não só uma planta no quintal. Natureza é flor, mato, rocha, lago, animais, chuva, trovão, é coisa grandiosa, vasta e que desafia nossa noção de poder. Afinal, somos tão egocêntricos que achamos ser maiores e que podemos dominar o mundo. Nós pobres humanos, achamos que podemos passar e devastar a natureza sem que ela perceba. Sem que ela devolva em desastre nossa ingratidão. Ela nos dá/deu, de mão beijada, uma bandeja de recursos. No entanto, assim, vez ou outra, desastre ou outro, ela cobra o preço a quem a usou desajuizado. A natureza para mim faz todo sentido. Nela eu acredito e pouco questiono. A respeito e me encanto com ela. ⛰️ #bonitoms #grutadolagoazul
  • Pedacinho do Rio do Peixe, um dos lugares mais lindos que já vi na vida! Achei que tava na sessão da tarde, nos cenários da Lagoa Azul. Mas as câmeras não conseguem captar a beleza que é pessoalmente. 😍😍😍 #riodopeixe #bonitoms
  • Sereia ou piranha? Um pouquinho de cada hahaha Rio Sucuri o terceiro mais cristalino do mundo 🐟😍 #riosucuri #bonitoms #nofilter
  • Flutuação no Aquário Natural 🐟🐠🐚 #bonitoms #aquarionatural
  • Olhar nos olhos do outro é tão difícil quando nos comunicamos, né? Ora porque é um momento em que nos sentimos desarmados e vulneráveis perante um olhar opressor, ora porque sentimos vergonha do que nossos olhos mostram ou tem a dizer. Ora é só timidez. Quando eu tento olhar nos olhos de alguém eu fico desconcertada, as palavras embaraçam. Na verdade a gente não costuma conversar olhando diretamente nos olhos. Eu preciso de muita intimidade para conseguir olhar assim: olho no olho. No entanto, olhares nos conectam de alguma forma, apesar de ser raro estes momentos acontecerem. Aqui, nas redes, parecemos estar muito conectados, né? Mas só parece. Tem uma tela que nos separa, do seu lado você não me olha, você olha minha foto, editada e bem bolada.
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Post para não esquecer de conectar com pessoas pessoalmente.
  • #tbt

As portas. PARTE I

Guardo no meu rolo de câmera algumas fotos de portas que tirei lá em Paraty/RJ. Tais portas, além de eu considerá-las belíssimas, me trazem a sensação de pertencimento, em algum momento eu me identifico com elas e gostaria de tê-las numa futura casa. Eu gosto de vê-las, editar as fotos, imaginar uma casinha com elas. É confortável e ao mesmo tempo inspirador. Os detalhes na madeira, as cores, as maçanetas. Ah! As maçanetas me encantam! Imagine quantas mãos já abriram ou fecharam estas portas? São muito antigas. Acho que a antiguidade delas que me fez escrever este texto num dia de #tbt. Estou voltando mesmo. Na verdade o exercício de voltar um, dois, três passos para trás está se tornando um exercício frequente para mim. Num mundo que projetamos e vivemos o futuro, andar para trás parece loucura. No entanto, é o caminho da volta que tem me feito crescer de alguma forma. Dar ré e: repensar, ressignificar, recalcular, reviver, reconhecer.
(continua na próxima foto)
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#luadesofia #blog #literatura #ideias #reflexão #poesia #poema #textos #escritos #comunicação #writing #writer #life #change #aprendizado #cronicas
  • #tbt

As portas. PARTE II

Então volto para as portas. Quantas já abri, quantas foram abertas para mim, as portas que fechei por necessidade e as portas que fechei sem perceber. No caminho há portas. E o sentido comum que tomamos de caminho é o pra frente. É evoluir, é avançar, e assim, algumas portas ou muitas delas passam despercebidas. Eu sempre acreditei e acredito na transformação constante e na possibilidade de podermos ser melhores a cada dia. Mas e se estamos indo rápido demais e por isso deixamos passar detalhes que são importantes na vida? Detalhes que nos fazem compreender o outro e a nós mesmos. Então tenho me contido. Nas conversas, nas ações, nos pensamentos, volto alguns passos para tentar estabelecer um ponto de encontro com o outro para que estejamos no mesmo compasso. (Ressalva: voltar não quer dizer que estou à frente de alguém, aqui é no sentido de chegar onde ela está). Livro-me das minhas bagagens e experiências por alguns minutos. Tento abrir espaço para que, em algum intervalo de tempo, eu compreenda o que é ver o mundo como a pessoa com quem eu estou relacionando, o vê. Estamos falando, expressando, expondo nossas opiniões adoidados. Mas não paramos para ouvir. A comunicação se dá é na interação com o outro. Entre fala e escuta. Temos muito a dizer, mas ouvimos do mesmo tanto?
(continua na próxima foto)
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